Verbalize com MV Bill em 2010! *Lançamento Oficial

MV Bill  “Verbaliza” sobre temáticas contemporâneas já em 2010.

A campanha “Verbalize” desenvolvida pelo rapper, escritor e cineasta MV Bill, teve foco no “tráfico de informação” por meio de tecnologia popular.
O ativista sócio-musical aborda temas contemporâneos, em vídeos para celular, já disponíveis em todo território nacional.
Na estréia MV Bill Verbaliza sobre violência, drogas, gravidez, sexo e política.
Para isso a WTN (Web Television Network) desenvolveu diversos caminhos.

Participe!
 
Envie MVBILL para 49955 e receba os vídeos em seu celular.
 
Se você é cliente Claro, siga o link direto:
 http://www.claroideias.com.br/portal/site/CIdeias/menuitem.7df34df2cc1d8a7933d1593b22dc10a0/&idlocal=50
Ou clike www.claroideias.com.br /  Claro Videos / Videos Download
 Escolha o modelo do seu celular Claro. Na Categoria Comportamento escolha seu tema favorito e baixe conteúdos MV Bill.
 
Você pode baixar vídeos pelas operadoras BrasilTelecom, Vivo e Tim, por meio dos sites: www.plugo.com.br e www.wtn.com.br
Participe! Mande suas sugestões para novos Verbalizes através dos canais MV Bill.
·        Site oficial (www.mvbill.com.br)
·        Myspace (www.myspace.com/mvbill)
·        Blog (www.mvbill.blogspot.com)

Por Chapa Preta e WTN.

Com rimas contundentes, Gog escreve sobre o escândalo de corrupção no DF

Em nova letra, o poeta do rap nacional critica a corrupção no DF

Gog, o poeta do rap nacional, acaba de concluir sua mais nova letra: Ponto Phinal. A música pronta, no entanto, pode sair a qualquer momento, segundo informa o rapper.
Ponto Phinal é uma espécie de continuação da já consagrada música “Brasil com P”, que possui duas partes (duas músicas, na verdade) e possui uma característica particular que levanta a curiosidade do público e revela o talento de compor do rapper: todas as palavras iniciam com a letra “P”.

Nesta nova música, Gog concentra suas criticas em cima do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, acusado de ser o comandante do esquema de corrupção no GDF, esquema este levado à tona através da operação da Polícia Federal, operação Caixa de Pandora.
De forma bastante inteligente, Gog questiona o por quê da distribuição de Panetones para a população carente (argumento utilizado pelo Governador do DF para justificar o recebimento de grande quantia em dinheiro) ao invés de realizar “pavimentação pública, paradas, pontes, pistas, postes“.

Esta não é a primeira vez que Gog materializa o sentimento de toda a população. Na música “Fogo no Pavio“, o rapper expõe os problemas das comunidades e a atuação dos políticos. Em seu último disco, a música “Malcom X foi à Meca e Gog ao Nordeste” traz uma citação aos fatos e ao governador do DF: “Escrevi fogo no pavio / Arruda me ligou / Infelizmente injustamente, foi eleito novamente / o povo realmente esquece bem rapidamente” (referindo-se ao caso da violaçao do Painel de votação do Senado Federal, escândalo que Arruda esteve envolvido).

Por Cultura Hip Hop Uol.

Mano Brown é capa da Rolling Stone – Eminência Parda

Foi confirmado hoje, o que já era falado, Mano Brown é capa da última Rolling Stone do ano.
Confira aqui um trecho da matéria:
Pedro Paulo se tornará quarentão em abril próximo. “Estou virando um tiozinho, mano.” Antes de bater nos quatro ponto zero, ele surpreenderá novamente quem o escuta desde 1988, quando tinha 18 anos e entrou nos ouvidos de muitos brasileiros – por amor ou por ódio – com suas rimas. Pedro Paulo é Mano Brown, a mais importante, influente e respeitada personalidade do rap brasileiro, o piloto dos Racionais MC’s, uma das vozes das periferias do país – posição rejeitada por ele, mesmo depois de ter guiado o único grupo nacional de rap capaz de vender 1,5 milhão de discos oficialmente no Brasil até hoje (sem contar outros cerca de quatro milhões na conta da pirataria). Mas aquele Mano Brown conhecido pelo Brasil “estava condenado a virar estátua, sem utilidade”, como ele mesmo diz, na sua autodefinição.
O Racionais parece ter uma cartilha a seguir e não fomos nós que a escrevemos. Foi a opinião pública. Somos reféns das palavras, mas não posso ser refém de nada, nem do rap. Vamos quebrar. Aquele Mano Brown virou sistema viciado, uma estátua óbvia demais. Pergunta tal coisa que ele vai responder tal coisa. Eu estava mapeado e rastreado”, constata. Para registrar parte desta nova fase, foram quatro encontros e cerca de 15 horas de conversas mantidas ao longo de 11 dias do mês de novembro último, incluindo uma sessão de fotos – colada em uma outra sessão para ouvir algumas das novas músicas, ainda inéditas. Neste bonde estão o músico com formação clássica e compositor William Magalhães, filho do lendário Oberdan Magalhães, alma da fábrica de samba-soul-funk Banda Black Rio, e o rapper Marcos Dias Carneiro, o Dom Pixote, a quem Brown vez ou outra chama de Fiote. Antes de ter sido assassinado em alguma rua da Babilônia paulistana, o irmão mais velho de Dom Pixote o ensinou a ouvir Racionais. Para Brown, o talento de Pixote no rap é a vingança do irmão de sangue.

Você confere mais fotos e lê esta matéria na íntegra na edição 39, dezembro/2009.
São Paulo e Rio de Janeiro: nas bancas a partir de 11/12
Outros estados: nas bancas a partir de 14/12.

Seminários Consciência Hip Hop

Durante o Festival acontecerá a 1ª Reunião da Frente brasileira Hip Hop

Alex Antunes estará no Festival Consciência Hip Hop 2009

                      Alex Antunes estará no Festival Consciência Hip Hop 2009

O Festival Consciência Hip Hop configura-se como topo da cadeia produtiva do Hip Hop em nosso Estado, e, por conseguinte, tem a função de estimular a circulação, distribuição e consumo de artistas e agentes culturais envolvidos com essa linguagem. Assim, Rappers, Grafiteiros, bboys, djs reunir-se-ão em Cuiabá para qualificar ainda mais este processo.

O Seminário Consciência Hip Hop e a Reunião da Frente Brasileira Hip Hop, que acontecerão durante o Festival, contam com a presença de Alex Antunes, Jornalista, produtor e escritor, especializado em música e atualmente trabalha na Revista Rolling Stones; Cleiton Rocha dos Santos (KakkO), produtor Cultural e coordenador da CUFA de Uberlândia (MG) e Rodrigo Pelarosi Comunicador do Coletivo Massa Coletiva de São Carlos (SP).
Confira a Programação de Seminários:
 

Dia 05/12 – Sábado
14: 00h Seminário Alèx Antunes
16:00h Seminário Comunicação no Hip Hop com Jovem Pelarosi (SP)

Dia 06/12 – Domingo
09:00h Reunião Frente Brasileira Hip Hop
14:00h Seminário Sustentabilidade no Hip Hop com Pablo Capilé (MT)
16:00h Seminário Comunicação no Hip Hop com Jovem Pelarosi

Toda a programação do Festival acontecerá no Centro Esportivo Cultural CUFA, localizado na rua Dr. Meireles, Nº 2845

Por Fernanda Quevedo.

Proxímo Final de Semana em Uberlândia

Linha Dura e Manos de Responsa no Goma

HUTÚZ RAP FESTIVAL

Quarta prévia Festival Consciência Hip Hop Sinop, uma tradição diversificada

     Neste último final de semana a CUFA (Central Única das Favelas) de Sinop encerrou a programação da 4° edição da Prévia do Festival Hip Hop. Essa prévia do Consciência Hip Hop é um evento tradicional para a comunidade hip hop do município.

         Assim essa prévia chegou e foi um sucesso. Neste sábado (14) foi realizada uma atividade interativa na Praça Vagner Pregonci, P-25. Foram apresentadas diversas atrações. Entre elas uma apresentação com a Família Expressão Suburbana, que fez um som bem original para os

Presentes.

         Em seguida teve um show com os Rappers de Cuiabá, Linha Dura e P. Brother. O nível profissional desses dois artistas é impressionante, tanto pela técnica, quando pela expressão musical. Linha Dura ressalta nas letras de suas músicas a regionalidade de Mato Grosso, mais especificamente de Cuiabá, sua terra natal. Linha Dura e P. Brother fizeram uma turnê pelo nordeste brasileiro, divulgando a qualidade do Rap mato-grossense.

        Para dar um ar mais descontraído e inovador o palco foi na pista de skate, mostrando assim toda a influência do estilo livre, que é a Consciência Hip Hop. Após a apresentação dos artistas cuiabanos, foi à vez novamente de prestigiar a prata da casa. O grupo Ideologia Ativa, retornou a ativa e esse recomeço foi na prévia, o público aplaudiu os integrantes liderados pelo Rapper Jean, um dos precursores da cultura Hip Hop em Sinop.

Após as apresentações musicais chegou a hora do tão esperado break O evento contou com a participação de atletas de Sinop e outras cidades vizinhas.

  premiação foi em dinheiro, para o 1°, 2° e 3° lugar. Vários B.boys participaram, o ranking final foi:

 * 1° B.boy Guina (Sorriso)

* 2° B.boy Juninho (Sinop)

* 3° B.boy Magno (Sinop)

  pra finaliza em grande estilo, ao som de Freestyle de Mc’s a prévia de Sinop teve uma grande roda livre de break pra geral se divertir com essa diversidade cultural.

 

 

 

 

hutuz-10anos-especial
O clima é de festa e despedida. No ano em que comemora 10 anos, o Prêmio Hutúz, reúne os manos, as minas, muita música e um parabéns rimado, cheio de estilo, para celebrar seu aniversário e fazer sua despedida. E, foi no dia em que se comemora o dia da favela, dia 04 de novembro, que o Hutúz iniciou sua última festa.

Criado pela CUFA (Centra Única das Favelas), no dia 14 de novembro de 1999, consagrou-se como a maior premiação de Hip Hop da América Latina. Seu palco revelou muitos músicos do movimento brasileiro e reuniu artistas nacionais e internacionais em uma festa democrática, cultural e social.

Não basta uma idéia na cabeça….

O Prêmio Hutúz é mais que a realização de um sonho é o sucesso de uma iniciativa. Já que as idéias estão por aí, soltas ao vento e podem surgir na cabeça de qualquer um. Mas, são poucos que fazem a diferença e transformam idéias em iniciativas. E foi isso que o empresário Celso Athayde fez em 1999. O Prêmio Hutúz foi criado com o objetivo de mostrar, principalmente para os integrantes do hip hop, que é possível realizar grandes eventos. “Queríamos mostrar para as pessoas do hip hop que elas podem fazer coisas imponentes e com qualidade. Que é possível trazer patrocinadores, serem profissionais e se relacionarem com a mídia. Enfim,  criar um mercado de verdade. E não mais ficar com um discurso ingênuo, que chega na maioria das vezes beirar a depressão. Hoje, podemos dizer que o rap, o hip hop, pode realizar coisas tão nobres quanto as que admiramos”, explica o criador do Hutúz.
O rapper GOG, que já foi premiado seis vezes no Prêmio Hutúz, destaca algumas das contribuições que o evento trouxe para o hip hop brasileiro. “Foi muito importante o acesso a artistas, atores, atrizes e personalidades que passam por lá. Eu conheci o mestre Gerson King Combo no Hutúz!  Outra é pela clara noção que o Hutúz nos deu de que tudo que se faz de forma organizada nasce com grande probabilidade de dar certo.” afirma o rapper. O Prêmio Hutúz também é uma recompensa. O rap nacional ainda enfrenta tantos boicotes, tanto preconceito. Nada melhor, do que ser premiado pelo trabalho árduo que os artistas do hip hop brasileiro desenvolvem. ” declara o rapper brasiliense. Quem também concorda com a opinião de GOG é Renan, do grupo Inquérito. “Um evento desse porte deu legitimidade e profissionalismo ao hip hop. Também deu reconhecimento, visibilidade e recompensa pelo nosso trabalho. “É como no carnaval, você trabalha o ano inteiro e desfila uma hora”, garante o rapper Renan do grupo Inquérito.
Com o passar dos anos o Hutúz se incorporou a realidade de todos aqueles que vivem o rap nacional. O ano do hip hop é marcado pela realização do Hutúz. A maioria já se organiza desde o inicio do ano para poder estar presente. Mandrake, que é diretor do Portal Rap Nacional e auditor do Hutúz, é uma dessas pessoas que se programa o ano inteiro para poder participar. “O Hutúz, acima de tudo, é uma grande confraternização! É muito bom encontrar amigos do rap nacional que estão espalhados por todo o Brasil e que se reúnem no Rio de Janeiro quando tem Hutúz”, comenta Mandrake.
O Hutúz também premiou muita gente desconhecida. Grupos que viviam escondidos em suas cidades e que nunca sonharam em ir ao Rio de Janeiro, subir no palco e levar para casa uma prova do sucesso do seu trabalho. Em 2006, os integrantes do Rafuagi, de Esteio, no Rio Grande do Sul, é que tiveram essa experiência em suas carreiras. Eles se surpreenderem até com a indicação. “Eu estava em casa quando vi que estávamos entre os cinco indicados da categoria Melhor Demo Masculina. Liguei para todos familiares e amigos. Ficamos muito contentes!” relembra Rafael, que junto com THC, forma o Rafuagi.

Depois da euforia veio a realidade. Eles queriam muito estar presentes na entrega dos prêmios. Mas, precisavam arcar com todas as despesas. Então, começaram uma verdadeira maratona para conseguir o dinheiro necessário para viajar até o Rio de Janeiro. “Enviamos material para tv e jornais e conseguimos entrevistas em vários veículos de comunicação. Isso nos projetou, estávamos representando o estado para todo o Brasil. Conseguimos apoio financeiro da família e da Prefeitura e fomos para o Rio de Janeiro”, conta Rafael. No Rio de Janeiro, eles ficaram na casa de uma amiga, já que a grana era curta. A experiência foi inigualável. Na época Rafael tinha 17 anos e era a primeira vez que saia do Rio Grande do Sul. Na noite da premiação, toda a nata do rap nacional se reuniu no Canecão. Para os garotos do sul, terem sido indicados já era um prêmio, estarem presentes e no meio de tantos ídolos, já era uma vitória. Mas, as realizações não pararam por aí. “Na noite da premiação estávamos na moral, sem muita esperança de ganhar. Mas quando a Marina Lima anunciou, o vencedor é:  Rafuagi!  Fomos à loucura, na nossa mesa estava o Nitro Di e o grupo Função RHK, foi muito “loko”, uma emoção única.”, conta eufórico o rapper gaúcho.

Assim como o grupo Rafuagi, vários outros grupos representaram seus estados nas premiações e provam que o hip hop é feito em todo o Brasil. E para o Norte e Nordeste, foi criada uma categoria especial. Segundo Celso Athayde essa segmentação ocorreu para valorizar aquela região e por iniciativa dos grupos locais. “Criamos a categoria norte/nordeste por ser uma região que precisava de incentivo para estar presente no cenário nacional e  para dar volume a essa região. Do contrário repetiríamos os anos anteriores, aonde somente subiam no palco alguns poucos estados. Isso além de enfraquecer a relação nacional, desestimula quem faz um bom trabalho. A idéia era que quando essa região tomasse fôlego, a categoria fosse extinta. Outra razão foi  a reivindicação que eles fizeram.  Temos que ter sensibilidade nessa horas“, declara Celso Athayde.

Mas, não é possível agradar gregos e troianos. Para um dos vencedores nessa categoria, o rapper Don L do Costa a Costa, a iniciativa não foi tão boa assim. “Pra mim sempre soa meio como segunda divisão.  Mas na época que surgiu acho que foi válido, pra que o próprio meio enxergasse o que tá sendo feito aqui em cima. Acho que seria mais interessante se eles olhassem pros grupos do Nordeste e indicasse quem merece ser indicado, mas nas categorias normais, competindo com todo mundo”, comenta Don L. A verdade é  que o que se vê no palco do Hutúz é um reflexo do que o público está curtindo. E ainda, de uma maneira geral, são mais valorizados os rappers de São Paulo e Brasília. Durante a existência do Hutúz os principais prêmios foram destinados a artistas desses dois estados. Muitos ficaram de fora, algum merecedores extremos nem indicados foram. Por outro lado, muita gente boa levou o troféu. E tudo na vida é assim… Não se pode acertar sempre!

E aqueles que tiveram a honra de serem eleitos como o melhor do ano, seja em qual categoria for,  sabem o gostinho que isso tem. E, o troféu acaricia o ego não só daqueles que estão começando, mas também de quem já tem uma longa caminhada no rap nacional.  “Ser agraciado faz parte de uma estratégia maior, que é mostrar aos quatro cantos que a minha forma de atuar no cenário é viável e promissora”, afirma o premiado GOG, que sempre participou do Hutúz, mas nem por isso deixa de questionar algumas atitudes dos organizadores. “Tenho restrições a certas parcerias firmadas, mas tenho maturidade suficiente para saber que cada qual trabalha da forma que acredita ser mais viável”.

Outro grande nome do rap nacional  que se emocionou muito com a premiação foi Dexter. Em 2005, ele levou o troféu de melhor álbum, com Exilado Sim, Preso Não. Como Dexter está detido, quem subiu no palco para receber o prêmio foi Mano Brown. “Não participei da festa pela condição a qual me encontrava, foi muito triste, porém a satisfação de ter ganhado o prêmio, e do trabalho ter sido reconhecido superou toda a tristeza. Toda moeda tem dois lados, às vezes não se pode ter tudo o que se quer. Combinamos que não só o Brown, mas todos os envolvidos no Cd subiriam no palco para me representar caso eu ganhasse. E foi exatamente o que aconteceu”, comenta Dexter.

O Hutúz nasceu há 10 anos, cumpriu sua missão de mostrar um movimento organizado e de qualidade que valoriza seus artistas. E ficou para a história. Ninguém contará a história do movimento hip hop brasileiro sem falar do Prêmio Hutúz. Ele não agradou a todos, não teve só fãs e visões positivas. Mas, foi uma iniciativa que deu certo e irá se despedir deixando saudades.  Para encerrar o ciclo da premiação vai ser realizada uma grande festa. Dessa vez vão ser eleitos não os melhores do ano, mas os três  melhores da história do hip hop brasileiro. Faça parte da história. Entre no www.hutuz.com.br e vote também.
Entrevista exclusiva com Celso Athayde
Portal Rap Nacional: Como surgiu a idéia de criar o Hutúz?
Celso Athayde: A idéia surgiu naturalmente a partir de outras conquistas,  um espaço aglutinador seria conseqüência natural para a construção de uma nova identidade do segmento.  Eu diria que foi muito mais uma iniciativa do que uma idéia, pois as idéias estão sempre soltas por ai, na cabeça de muitas pessoas, o grande mistério está exatamente na iniciativa, fazer acontecer…
R.N.: Qual o objetivo do Hutúz?
Celso Athayde: Mostrar para as pessoas do hip hop que elas podem fazer coisas imponentes, com qualidade, trazer patrocinadores, serem profissionais, se relacionar com a mídia. Enfim, criar um mercado de verdade. E, não ficar com um discurso ingênuo que chega na maioria das vezes beirar a depressão. Hoje podemos dizer que o Rap, o Hip hop, pode realizar coisas tão nobres quanto as que admiramos.

R.N.: Você acha que nesses dez anos conseguiu atingir essa meta?
Celso Athayde: Em parte sim, se considerarmos que o Hutúz está acabando esse ano e os patrocinadores estão pedindo para eu não terminar, ou seja, se não estamos acabando por falta de apoio então conseguimos parte da meta, que é ter conquistado respeito, prestigio e credibilidade, se chegamos aos dez anos de vida. Então podemos dizer que no meio do hip hop também alcançamos isso, mas pra mim o que não conseguimos conquistar foi a melhora na qualidade dos grupos,  isso não podemos fazer, a arte é algo que não podemos interferir.

Infelizmente o rap  vem reproduzindo discursos e isso é pouco… É preciso praticar o que se prega,  o hip hop não pode ser basear apenas numa voz afinada, o que diferencia um grande rapper, por exemplo, de um rapper medíocre , são as suas atividades, não a letra de sua música… E a suma de tudo isso transforma o ambiente em que vivemos… Eu não gostaria de deixar como legado para o hip hop da próxima década um monte de discursos equivocados, mas deixar exemplos práticos  de mudança , deixar como legado a transformação real da vida de muitas pessoas , se for somente musica , então não é hip hop, é entretenimento…
R.N.: Como você conseguiu transformar o Hutúz na maior premiação da América Latina?
Celso Athayde: Estive em algumas premiações nos E.U.A, e nada do que vi me seduzia, então resolvemos criar algo que fosse clássico, mas uma coisa iria nos diferenciar de todos os outros eventos e premiações,  esse diferencial seria e é o nosso sentimento,

R.N.: Porque o Hutúz vai acabar?
Celso Athayde:  Porque ele já cumpriu o seu papel. Nesses dez anos muitos se revelaram, muitos de descobriram e muitos foram felizes. O Hutúz proporcionou muitos sorrisos e lágrimas nas pessoas,  sabemos o  quanto esse prêmio é importante e o quanto ele vai fazer falta. Por outro lado, a Cufa tem que ir realizar outros projetos, se não o prêmio se torna maior do que o próprio mercado.  Agora é a vez do hip hop mostrar que esta preparado para seguir adiante. Criar um novo prêmio de rap e de hip hop e continuar o que começamos… Se o hip hop não tiver  condições para fazer, então imagino que um Boy o faça e o movimento vá lá legitimar, tudo vai ser natural.

Na minha avaliação se o rap seguir o caminho que está ele se tornará um câncer para a juventude brasileira  e o Hútuz, na minha avaliação, não pode contribuir com isso.  Se for somente pelo dinheiro eu faço um premio de axé
Acho que antes de voltar a fazer o prêmio um dia , o Hip Hop vai ter que mostrar que cresceu , que tem responsabilidade e realmente tem compromisso com as mudanças, do contrário seremos um bando de gente falando qualquer coisa, palavrões a ermo, desrespeitando as mulheres, , agredindo os homossexuais nas saídas dos bailes e mesmo assim estaremos com um discurso afinado de uma revolução que não chegará.
 
Acho que é isso,  existe hoje de minha parte uma certa descrença com todos os discurso do rap, com as posturas… E,  se eu não acredito nesse modelo que estamos reproduzindo, então o Hutúz acaba sendo de certa maneira a celebração oficial de tudo isso.

R.N.: O Hutúz pode voltar um dia?
Celso Athayde:  Sim. O Hutúz pode voltar um dia, mas o hip hop tem que mudar , e se isso não for possível, então espero que alguém crie um prêmio que possa representar esse modelo. 

Fazer uma festa para premiar esses 10 anos que passamos produzindo o Hutúz me dá a sensação de que estaremos efetivamente valorizando uma quantidade de momentos importante que o prêmio viveu, que o hip hop viveu  e porque não dizer, estaremos brindando momentos mágicos que esse país viveu
Reportagem: Elaine Mafra e Nanda Lopes
Entrevistas: Elaine Mafra

Com Sepultura, Pato Fu e mais 30 atrações, Jambolada é o mais mineiro dos festivais

Quinta edição do evento, em Uberlândia, é a primeira a unir artistas de 10 municípios estaduais, além de paulistas do Cérebro Eletrônico, pernambucanos Devotos e goianos Black Drawing Chalks; Encontro Fora do Eixo Minas reúne 9 coletivos do estado por 5 dias

 

O segundo maior estado do Brasil em população, com 19,2 milhões de habitantes, é, atualmente, o mais representativo na nova cena da música independente nacional, considerando o número de municípios participantes do Circuito Fora do Eixo, uma rede de festivais, bandas, coletivos e casas noturnas espalhados pelo país.
O maior festival do gênero em Minas e o maior do Brasil fora das capitais, o Jambolada, promove, pela primeira vez, a reunião de toda essa cena entre os dias 21 e 25 de outubro, em Uberlândia. A cidade do triângulo mineiro receberá 32 shows, com artistas de 10 cidades de MG, entre nomes emergentes e consagrados como Sepultura e Pato Fu, além de destaques de outros estados como Cérebro Eletrônico (SP), Black Drawing Chalks (GO), os veteranos do hardcore Devotos (PE) e a veterana da MPB Maria Alcina (RJ), que encerrará o evento em parceria com o projeto Arte na Praça.

 

Além da música, o Jambolada 2009 abrigará uma maratona de atividades no primeiro Encontro Fora do Eixo Minas, com a participação dos nove coletivos mineiros do Circuito Fora do Eixo: Goma, de Uberlândia; Pegada, de Belo Horizonte; Megalozebu, de Uberaba; Vatos, de Vespasiano; Anti-heroi, de Divinópolis; Retomada, de Montes Claros; Fórceps, de Sabará; Peleja, de Patos de Minas e Semifusa, de Ribeirão das Neves.

 

Completam a programação o Jambo Literária, evento dedicado à literatura com a presença de escritores como Xico Sá e Rui Mascarenhas; o Jambo Digital, com debates sobre música, tecnologia e direito autoral; o Jambo Hip Hop, em parceria com a CUFA (Central Única das Favelas) de Uberlândia, envolvendo, entre outras ações, um campeonato de basquete de rua; o Cine Jambolão, com uma mostra da cena audiovisual independente; o Jambo Universitária, com programação dentro da Universidade Federal de Uberlândia (UFU); o Jambo Mix, uma feira de moda e cultura alternativa e o Jambo Verde, com ações de conscientização ambiental.

 

O Jambolada 2009 ainda servirá de espaço ao I Encontro dos Agentes Culturais de Uberlândia – para a criação do Fórum Municipal de Cultura – e receberá o Painel Música Minas, apresentando o programa Música Minas com a participação das entidades que formam o Fórum da Música de Minas Gerais.

 

O Jambolada 2009 é realizado pelo coletivo “Goma: Cultura em Movimento” e pelo núcleo de produção “Valvulado: Cultura Amplificada”. O Jambolada integra o Conexão Vivo – iniciativa da Vivo voltada ao desenvolvimento do setor musical brasileiro.

As B-girl’s são destaque em eventos esportivos e culturais no Piauí.

As B-girl’s são destaque em eventos esportivos e culturais no Piauí.Por:Emanuel Ramos e Joelma Ralé
O campeonato de basquete de rua organizado pela CUFA PIAUÍ (LIIBRA) reuniu diversas tribos em torno de um objetivo comum: usar a arte para a propagação da cultura. 
Em dois dias de evento, dezenas de jovens tiveram a oportunidade de apresentar, através de manifestações culturais, os valores e a dignidade. Neste contexto, a CUFA PIAUÍ concentrou jogadores de basquete, cantores de Rap, cadeirantes, b-boy’s, grafiteiros e a comunidade em geral.
A grande novidade ficou por conta da apresentação das B-girls Rê, Kell e Cleide Silva. Elas dançaram juntas e planejam ser multiplicadoras desta arte.
Para Rejane, a dança é uma forma de  expressar-se, tornar-se parte do mundo. “É você e a dança, o mundo se torna uma parte”, ressalta B-girl Rê.
De acordo com as três dançarinas, o hip-hop deve ser valorizado, não deve ser visto com preconceito e não é dança de marginal. Antes ,só os homens praticavam essa arte, hoje as mulheres querem difundir esta cultura, ajudar a tirar as meninas da prostituição e do mundo das drogas. “A dança é um instrumento de resgate da autoestima”, completa a B-girl Kell.
 Esse trio almeja somar forças com parcerias para representar o Piauí em festivais a nível nacional. E isso já resultou em uma conquista, ganharam a I BATALHA DO DIRCEU evento este que contava com 12(doze) crews e que somente o grupo delas, C2R CREW , era composto por mulheres.
 Elas acreditam na força e no potencial da mulher, “Não se pode ver a mulher com preconceito, pois ela vem conquistando um papel muito importante na sociedade e isto deve ser respeitado”.
“A cultura também é um caminho para a mudança, sem arte não vale a pena viver”, completa Cleide Silva.

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